Áreas de intervenção

Linguagem

Atraso de desenvolvimento da linguagem (ADL)

O atraso de desenvolvimento da linguagem define-se por alterações nos vários níveis da linguagem.

A criança não evidencia a perda anterior de capacidades, mas manifesta a permanência de padrões
linguísticos correspondentes a idades cronológicas anteriores (dificuldade em adquirir capacidades linguísticas,
adequadas para a idade).

O atraso no desenvolvimento da linguagem (ADL) é uma condição em que o nível de linguagem da criança é
coincidente com o de uma criança mais nova. Este diagnóstico é utilizado até aos 6 anos, pois esta é a faixa
etária em que se dá o desenvolvimento da linguagem. (Morris, 2005)

Disfunção da comunicação

Perturbação da linguagem (PL)

Este diagnóstico ocorre em crianças em idade escolar que apresentam dificuldades em todas as componentes da linguagem.

Perturbação específica da linguagem (PEL)

Uma criança portadora de uma Perturbação Específica da Linguagem revela um desenvolvimento irregular
dos níveis linguísticos, sem qualquer perda da linguagem já adquirida, nem lesões cerebrais observáveis
associadas ao problema.

A criança utiliza as suas próprias regras e consequentemente, deixa de ser compreendida pelos que a rodeiam.

Afasia do desenvolvimento

É uma alteração adquirida da linguagem e/ou da comunicação, consequência de uma lesão cerebral.
Uma criança portadora deste tipo de perturbação não apresenta etapas de desenvolvimento linguístico
homogéneo, tanto na expressão como na compreensão da linguagem.

Afasia

A afasia caracteriza-se pela perda (total ou parcial) ou pela desorganização linguísticas, como consequência
de um acidente vascular ou de uma lesão. Na afasia as dificuldades manifestam-se na expressão e/ou na
compreensão da linguagem oral (por exemplo anomia, etc.) ou escrita (por exemplo, dis/alexia, dis/agrafia, etc.).

Articulação

Perturbação fonética

Perturbação fonológica

A característica essencial da Perturbação Fonológica consiste numa incapacidade para utilizar sons da fala,
esperados evolutivamente e próprios da idade e idioma. Esta perturbação pode envolver erros na produção,
uso, representação ou organização dos sons, tais como (mas não limitados a) substituição de um som por outro
(uso do som /t/ em vez do /q/) ou omissões de sons (tais como as consoantes finais).

As dificuldades da produção dos sons interferem no rendimento escolar, laboral ou na comunicação social.
Se estiver presente uma Deficiência Mental, um défice motor da fala ou um défice sensorial, ou uma privação
ambiental, as dificuldades da fala são excessivas em relação às que estariam normalmente associadas com
estes problemas.

A Perturbação Fonológica inclui erros na produção fonológica (isto é, na articulação), erros que consistem na
incapacidade para produzir correctamente sons da fala, assim como problemas fonológicos de base cognitiva
que envolvem um défice na categorização linguística dos sons da fala (por exemplo, dificuldade em seleccionar
os sons da linguagem que dão origem a uma diferença no significado).

A gravidade oscila entre um efeito muito escasso ou nulo sobre a ininteligibilidade da fala, até uma fala
completamente ininteligível.

Considera-se, habitualmente, que as omissões de sons são mais graves do que as substituições de sons, as quais,
por sua vez, são mais graves que as distorções de sons. Os sons que com maior frequência são mal articulados são
os de aquisição mais tardia na sequência do desenvolvimento (l, r, s, z, ch).´

Perturbação fonético fonológica

Fluência

Disfluência

Gaguez

Chamamos Gaguez à perturbação do ritmo e fluência da expressão verbal. A gaguez é caracterizada por repetições
ou prolongamentos involuntários, audíveis ou silenciosos, na emissão de pequenos elementos da fala (sons, sílabas
e palavras monossilábicas).

As interrupções no débito verbal existentes têm uma significativa variação em função das condições de interacção social.

A característica essencial da Gaguez é uma perturbação na fluência normal e organização temporal da fala, inadequadas
para a idade do sujeito.

Esta perturbação é caracterizada por frequentes repetições ou prolongamentos de sons e sílabas. Podem também estar
incluídos outros tipos de perturbação da fluidez da fala, incluindo interjeições, palavras divididas (por exemplo, pausas
dentro de uma palavra), bloqueios audíveis ou silenciosos (pausas preenchidas ou vazias na fala), circunlóquios
(substituições de palavras para evitar palavras problemáticas), palavras produzidas com um excesso de tensão física,
repetições de palavras monossilábicas (“E-E-E-ele”).

A alteração na fluência interfere com o rendimento escolar, laboral ou com a comunicação social. Se estiver presente
um défice sensorial ou motor da fala, as dificuldades da fala são excessivas em relação às que estariam normalmente
associadas com estes problemas.

A intensidade da perturbação varia em função das situações e muitas vezes é mais grave quando há uma pressão social
para comunicar (por exemplo, numa exposição na escola ou numa entrevista de emprego). A gaguez muitas vezes não
se verifica na leitura oral, no canto ou a falar a objectos inanimados ou animais.

Deglutição

Disfagia

A disfagia é a alteração da deglutição que aparece devido a uma doença de base ou a uma cirúrgia.Esta dificuldade para
deglutir pode afectar qualquer parte do tracto da deglutição desde a boca até ao estômago.

São várias as causas que originam a disfagia:
paralisia cerebral, traumatismo crânio encefálico, acidente vascular cerebral (AVC), cancro de laringe, trauma medular,
tumor cerebral, síndromes, HIV, encefalopatia, esclerose lateral amiotrófica, esclerose múltipla, miastenia grave,
infecções congénitas, demência, alzheimer, parkinson, distrofias neuro-musculares, quadros psiquiátricos, cirurgias de tiróide,
pescoço e coluna, bebés prematuras e o próprio processo de envelhecimento entre outras causas.

Em alguns casos a disfagia pode ser transitória como, por exemplo, numa situação de próteses dentárias mal adaptadas,
ou em fase de recuperação pós cirúrgica.

O diagnóstico e tratamento precoce é essencial para evitar complicações respiratórias e nutricionais, internamentos
prolongados e com isso maior exposição às infecções hospitalares, bem como para evidenciar uma doença de base
ainda não detectada.

Voz

Disfonias

Tarneaud (1941, citado por Pinho, 2003) define a disfonia como sendo, a dificuldade na emissão da voz com as suas
características naturais.

Segundo Pinho (2001), podemos classificar as disfonias de três formas etiológicas diferentes:

 Funcionais: distúrbio vocal sem alteração orgânica significativa;
 Orgânicas secundárias: também são originadas pelo uso indevido da voz, mas já apresentam alterações
orgânicas como consequência;
 Orgânicas primárias: não dependem do uso inadequado da voz

Entende-se como um distúrbio da comunicação, no qual a voz não consegue cumprir o seu papel básico de transmissão
da mensagem verbal e emocional de um indivíduo. Segundo BEHLAU & PONTES (1995), a disfonia representa qualquer
dificuldade na emissão vocal que impeça a produção natural da voz, enquanto a afonia representa a perda total da
emissão vocal.

Estas dificuldades podem-se manifestar através de uma série ilimitada de alterações como: esforço à emissão, dificuldade
em manter a voz, variação na qualidade vocal, cansaço ao falar, variações na frequência fundamental habitual ou na
intensidade, rouquidão, falta de volume e projecção vocal, perda da eficiência vocal e pouca resistência ao falar, entre outras.
A disfonia é um sintoma presente em vários e diferentes distúrbios.

Leitura e escrita

Dislexia

O termo dislexia é aplicável a uma situação na qual a criança é incapaz de ler com a mesma facilidade com que
lêem os seus pares, apesar de possuir uma inteligência normal, saúde e órgãos sensoriais intactos, motivação
e incentivos normais, bem como instrução adequada.

Disgrafia

Perturbação funcional que afecta a qualidade da escrita, ao nível do traço ou da grafia (diferente das grafias que
são manifestações das afasias – causa neurológica).

Discalculia

Dificuldade para transmitir o código linguístico falado ou escrito através de grafemas ou letras, respeitando a associação
grafo-fonetica e as regras de ortografia.

Défices neurológicos

Afasia

A afasia consiste num “ (…) distúrbio que afecta todos os aspectos da linguagem (compreensão e expressão), em
decorrência de uma lesão cerebral” (Mac-Kay et al, 2003, 51), para a qual não existe cura, no sentido de não existir
nenhuma intervenção cirúrgica ou farmacológica que a supere, restituindo aos doentes uma realidade linguística-cognitiva
pré-mórbida e que pode afectar a vida quotidiana e prática de muitas pessoas (Morato, 2002).

Segundo a D.G.S. (2000, 28) “ (…) a afasia consiste numa perturbação, mais ou menos grave, da linguagem oral e escrita
e da compreensão da palavra falada ou escrita”, que poderá englobar alterações a nível gramatical, na nomeação dos objectos,
na soletração das palavras, assim como no cálculo.

Assim, poder-se-á caracterizar a afasia como sendo uma perturbação de linguagem que ocorre após uma lesão cerebral
nas estruturas que se supõe serem responsáveis pelo processamento da linguagem (A.I.A. ; Herr, 2007). É vista como
sendo um síndrome heterogéneo, visto que os sintomas variam de indivíduo para indivíduo, tendo em comum o facto de
todos exibirem dificuldades acentuadas ao nível da nomeação (evocação do nome). Para além de dificuldades de nomeação
poderão ser observadas alterações ao nível das três restantes componentes da linguagem: fluência (produção do discurso),
compreensão e repetição (Leal et Martins, 2005). Assim, Caldana et Michelini (2005) referem que a afasia pode causar
uma “ (…) restrição de comunicação com o meio, incluindo as interacções familiares e convívio social”.

É fundamental realçar que todas as idades poderão ser afectadas com a patologia em causa, uma vez que esta afecta
uma faixa etária “ (…) extremamente ampla” (Lamônica et al, 2000,13), assim como não se diferencia em relação a “ (…) raças, nacionalidades e classes sociais” (Lamônica et al, 2000,13).

A afasia não é vista como sendo uma patologia progressiva, nem que piora ao longo do tempo, apesar de diferir de pessoa
para pessoa de acordo com o tipo e gravidade da lesão (D.G.S., 2000).

Vários autores incluindo Caldana et Michelini (2005); Gil (2004); Herr, (2007); Lamônica et al (2000) e Ortiz (2005) referem
como dicotomia de classificação a divisão como:

 Afasias Emissivas ou de Expressão

 Afasias Receptivas ou de Recepção

 Afasias Mistas ou Receptiva

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